Quando iniciámos um projecto neste colégio envolvendo a arte japonesa de Origami (Ori=Dobrar Kami=Papel), o sentimento era de que seria uma actividade interessante do ponto de vista lúdico e importante para o desenvolvimento de certas competências nas crianças. A adesão dos alunos a este tipo de actividade foi arrebatadora.
O termo mais adequado não será adesão, nem tampouco interesse, creio mesmo que a palavra paixão será pequena para classificar a reacção dos alunos do 3º ano à arte de dobrar o papel. O diagnóstico observado nestes alunos poder-se-à classificar por uma Obsessão Saudável mas Compulsiva pela Arte da Dobragem do Papel.
De repente, cada criança era um "Deus da Criação em Papel", um Deus capaz de criar, por geração espontânea: sapos, rosas, aviões, pássaros, caixas, pirâmides, cubos, estrelas, barcos, chapéus e toda uma panóplia de artefactos que, rapidamente, inundaram a escola, as casas, os automóveis e outros espaços frequentados pelas crianças. De repente, a melhor prenda de Natal passou a ser uma enciclopédia de Origamis, ou um livro com modelos de Origami. De repente, estava decidido: "Vou oferecer "tsurus" (ave de papel que simboliza a Sorte, Saúde, Felicidade e Fortuna) de papel a todos os membros da minha família", dizia um aluno entusiasmado. Houve até, imaginem, quem sonhasse vir a ser origamista de profissão.
Hoje, na escola...foi o último dia de aulas e dada a especificidade desse dia, era dia de festa, dia de cinema, de teatro, de danças, de jogos ou simplesmente, dia de estar pouco tempo na sala. Mas, para um punhado de alunos do 3º ano, não havia razão para estar pouco tempo na sala, pois isso significaria abdicar de trabalhar o papel, abdicar da criação, abdicar de usar as mãos para conceber novas figuras a partir de folhas, partes de folhas ou restos de folhas.
Quando, à hora do almoço, no último dia de aulas, uma dezena de alunos sugeriu ir para a sala e passar o resto do dia a aprender a fazer novos modelos de origami, percebemos a dimensão e o alcance deste projecto. Assim resultem novos projectos que idealizarmos!
Hoje, na escola pode não ter acontecido nada de mais. Hoje, na escola pode até não ter acontecido nada de menos. Mas, tenho a certeza de que...hoje, na escola aconteceram coisas a multiplicar. Multiplicaram-se brincadeiras e trabalhos, multiplicaram-se laços e zangas, multiplicaram-se birras, amuos, amizades, medos e ansiedades.
Aqui poderemos ver o que vai acontecendo numa escola que, apesar das suas especificidades, poderia ser qualquer uma. Uma escola que vive das crianças e de tudo o que gira à sua volta. São elas o produto, mas também a matéria-prima e é principalmente delas que falaremos neste espaço.
Cada dia será um hoje,
cada dia será um novo dia,
Um dia na vida de uma escola,
Um dia na vida de uma criança,
De um professor ou de um pai.
Porque a escola será
O dia de hoje,
O dia de amanhã
Os dias que hão-de vir...
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Um comentário:
ola, professor! muito interessante est texto sobre o origami! e engraçado como kuase todas as palavras s dividem formando dois significados, como por exemplo, origami! e muito interessante!
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