Uma tarde a ensaiar crianças dos 3 aos 10 anos para uma festa de Natal é algo que obriga a reflexão neste blogue.
Natal é sinónimo de festa na escola e festa na escola é sinónimo de ensaios até à exaustão. Ensaiar até as crianças saberem o que fazer, como fazer, quando fazer e, mais importante, o que não fazer, como não fazer e quando não fazer.
Debrucemo-nos então sobre o não fazer:
Para os mais pequeninos o não fazer é fazer. O não saltar em cima do palco é saltar em cima do palco, o não dizer adeus aos pais é dizer adeus aos pais, o não tirar os olhos do professor de expressão musical é olhar para todo o lado, menos para o professor de música. O não fazer, no dia da festa é a garantia de que, de certeza eles irão fazer. Está claro, com a excepção de um resistente que canta, gesticula e representa por todos os outros que não o fazem.
Para os maiores o não fazer é não fazer mesmo ou vai para a sala sem participar na festa; ou terá de escrever no caderno: "Não volto a fazer...", ou leva um recado para os pais ou, simplesmente, ouve um sermão acerca do que não devia ter feito. Aqui o caso é diferente, mas não menos interessante. Os maiores sabem que o não fazer é não fazer mesmo mas...irão sempre fazê-lo. Irão fazer pelo desafio, por provocação, por piada ou porque se esqueceram de que não deviam fazer. Contudo, no dia da festa acabam por fazer. Chamemos-lhe - "Responsabilidade".
Em suma, ensaios serão sempre ensaios e festas serão sempre festas. Uns fazem, outros não mas acabam sempre todos por fazer o que queremos, ou quase sempre, ou quase todos.
Engraçado seria investir numa festa de improviso, de brincadeira, sem ensaios, sem planos, sem professores a dizerem o que não fazer...no palco poderiam fazer tudo aquilo que lhes viesse à cabeça. Imaginação, dramatização, brincar ao "Faz de Conta"...ninguém melhor do que as crianças sabe fazer isso. Um dia...quem sabe...enquanto isso não acontecer podemos dizer:
Hoje, na escola estivemos a tarde toda a ensaiar para a festa de Natal, valeu a pena...
Hoje, na escola pode não ter acontecido nada de mais. Hoje, na escola pode até não ter acontecido nada de menos. Mas, tenho a certeza de que...hoje, na escola aconteceram coisas a multiplicar. Multiplicaram-se brincadeiras e trabalhos, multiplicaram-se laços e zangas, multiplicaram-se birras, amuos, amizades, medos e ansiedades.
Aqui poderemos ver o que vai acontecendo numa escola que, apesar das suas especificidades, poderia ser qualquer uma. Uma escola que vive das crianças e de tudo o que gira à sua volta. São elas o produto, mas também a matéria-prima e é principalmente delas que falaremos neste espaço.
Cada dia será um hoje,
cada dia será um novo dia,
Um dia na vida de uma escola,
Um dia na vida de uma criança,
De um professor ou de um pai.
Porque a escola será
O dia de hoje,
O dia de amanhã
Os dias que hão-de vir...
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário