Hoje, na escola pode não ter acontecido nada de mais. Hoje, na escola pode até não ter acontecido nada de menos. Mas, tenho a certeza de que...hoje, na escola aconteceram coisas a multiplicar. Multiplicaram-se brincadeiras e trabalhos, multiplicaram-se laços e zangas, multiplicaram-se birras, amuos, amizades, medos e ansiedades.
Aqui poderemos ver o que vai acontecendo numa escola que, apesar das suas especificidades, poderia ser qualquer uma. Uma escola que vive das crianças e de tudo o que gira à sua volta. São elas o produto, mas também a matéria-prima e é principalmente delas que falaremos neste espaço.


Cada dia será um hoje,
cada dia será um novo dia,
Um dia na vida de uma escola,
Um dia na vida de uma criança,
De um professor ou de um pai.
Porque a escola será
O dia de hoje,

O dia de amanhã
Os dias que hão-de vir...

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Dependência?

Nestes dias, quando chegamos à escola com o objectivo de, na tranquilidade do nosso espaço de ensino a que, possessivamente, apelidamos de "nossa" sala, fazer avaliações e organizar materiais, fichas e afins, acabamos, muitas vezes, por ser obrigados eliminar a palavra "tranquilidade" deste contexto.
Quando o primeiro grupo de crianças se cruza connosco, no corredor da escola, e nos implora: "Professor, podemos ir para a sala ajudar!" imediatamente acedemos a esse pedido e esquecemos a intenção de ter um dia de trabalho plácido, na quietude da "nossa" sala.
É inquestionável que a ajuda dos alunos, nestes dias, é preciosa. Há fichas para colocar em dossiers; há testes para colocar em envelopes, devidamente identificados, para mostrar aos encarregados de educação; há os livros da biblioteca de sala de aula para ordenar; há o cantinho dos jogos que precisa de arrumação... há tudo isto e muito mais, mas este muito mais é bastante mais. É haver uma sala que precisa de alunos, é haver um professor que deles também precisa e é eles precisarem do professor.
Quando Manuel Jacinto Sarmento (1994, p.73) dizia que "os professores são os profissionais do não-silêncio" não poderia estar mais certo. Mas esse "não-silêncio", esse acto de comunicar, é dirigido, maioritariamente, às crianças. São elas, quase sempre, o receptor da mensagem. Como tal, que sentido faria um professor, na sala de aula, sem os alunos e os alunos sem o professor.
Durante aproximadamente três meses, todos os dias úteis, durante cerca de oito horas, professores e alunos vivem e convivem, comunicam, partilham, agem e reagem, brincam, riem, jogam e também trabalham. Este agir simultâneo e permanente causa uma dependência, mas não uma dependência patológica,uma dependência salutar, uma dependência que faz com que, mesmo de férias, haja alunos nas salas de aula, alunos que pedem para ajudar professores e professores que aceitam a ajuda dos alunos, alunos que querem a disciplina da sala de aula e professores que abdicam do sossego de uma sala sem crianças, alunos que querem estar com os professores e professores que querem estar com os "seus" alunos.
Bendita dependência!

Um comentário:

Anônimo disse...

realmente, lendo este texto, vi as aulas e os professores de uma maneira diferente da k vejo no dia-a-dia, nas aulas. e uma maneira correcta e muito interessante e, realmente, somos todos dependentes uns dos outros, os alunos dos professores e os professores dos alunos. como tu dizes... bendita dependência!